Resenha: As Origens do Sexo - Faramerz Dabhoiwala


Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 688
Nota: 
Skoob

Foram 20 anos de pesquisa, consultando de obras artísticas e diários pessoais a registros criminais e tratados filosóficos, antes que Faramerz Dabhoiala finalizasse seu As origens do sexo: uma história da primeira revolução sexual, que a Biblioteca Azul lança no Brasil. No livro, Dabhoiwala alterna a perspectiva histórica com trajetórias individuais de muitos homens e mulheres para compreender a evolução da forma como o homem encara – e pratica – o sexo ao longo da História, com destaque para a mudança de paradigma trazida pelo Iluminismo, que suscitou a primeira grande revolução sexual do ocidente, segundo o pesquisador. Professor de Oxford e membro da Royal Historical Society, Dabhoiala mostra em As origens do sexo que, desde o início da história humana, quase todas as civilizações prescreveram leis severas contra algum tipo de imoralidade sexual, mas foi a partir da Idade Média que o sexo ilícito foi tratado com crescente vigor como crime público. A revolução sexual teve início com a derrocada da disciplina pública, fruto da Reforma religiosa e do conflito que se estabeleceu a partir dela, quando o sexo consensual fora do casamento foi aos poucos passando para a esfera do privado, além da coerção legal. Mas foi o Iluminismo que mudou definitivamente a maneira como a sociedade via o sexo. O modo de pensar iluminista alterou as noções de religião, verdade, natureza e moralidade de quase toda a população, transformando atitudes e comportamentos. Essa maior pluralidade de visões morais teve como efeito o avanço da liberdade sexual ao longo do século XVIII. Essa mudança radical lançou os alicerces da cultura sexual até os dias de hoje. O Iluminismo varreu uma visão de mundo mais “coerente” e investida de autoridade, trazendo novas perspectivas e algumas tensões irresolúveis que fazem parte da condição moderna: o crescimento da liberdade sexual, o predomínio do modo urbano de viver e discutir sexo, a noção de que os homens são por natureza mais sexualmente ativos e as mulheres mais passivas, uma associação entre moral e classe, a distinção entre público e privado, comportamento natural e antinatural, pornografia e celebridade.

Em As Origens do Sexo, acompanhamos o processo de evolução do mesmo. É um livro repleto de conhecimento, nos mostrando as mil faces da nossa sociedade, e como eles encaravam o sexo e os praticantes. Hoje em dia ainda consideramos o sexo como um tabu, mas levando em conta que temos simplesmente liberdade para escolher se queremos ou não fazê-lo. Somos livres e o nosso corpo, é apenas nosso.

Um dos fatos que mais me chocaram durante a leitura, foi o preconceito com as mulheres, desde sempre somos consideradas o sexo frágil, mas eu realmente não imaginava a que ponto a mente do ser humano poderia chegar. Ou melhor, tinha chegado.

Desde os primórdios se pressupõe que as mulheres eram o sexo mais libertino, cujas mentes eram corruptas, ávidas e vorazes. E acreditavam fielmente que apesar de o desejo carnal ser algo universal as mulheres eram moral e mentalmente mais propensas a cair em tentação, se é que posso assim dizer, por serem menos racionais e não saber controlar suas paixões.

Esse pensamento se dava também pelo fato de as mulheres eram descendentes de Eva, que era aliada do diabo, pois foi Eva que traiu Deus, comendo assim a maçã proibida e trazendo o pecado para terra, sendo assim, todas as mulheres eram indignas de confiança. Tudo se dá através do pensamento machista, preconceituoso e mesquinho da Igreja, do estado e da sociedade como um todo. Isso também era muito inaceitável, pois a sociedade aceitava tudo que a Igreja ditava.

O Sexo era visto não só como um pecado, mas também como um crime, e todos aqueles que fossem contra o que era imposto eram severamente castigados. A culpa deste pecado era contraída do nascimento, mesmo depois do casamento homens e mulheres tinham que estar atentos para não pecar através do sexo imoderado ou que não fosse ligado a procriação. Para todo cristão ao longo da sua vida a disciplina sexual era uma necessidade fundamental e inevitável. Ou seja, nem com seu marido você poderia ter relações sexuais a não ser que estivesse ligada a fins de procriação, a mulher era vista apenas como um objeto, servindo única e exclusivamente para perpetuar a espécie.

Atualmente na nossa sociedade temos livre arbítrio para fazermos o que acharmos melhor com nosso corpo, desde que sejamos adultos e entendidos, porém antigamente nada do que acreditamos hoje em dia como o “certo” era aceito pelo Estado/Sociedade e principalmente pela Igreja, adúlteros eram possivelmente condenados a morte, todos aqueles que fossem contra o que era socado em suas mentes como algo verídico, eram condenados. E mesmo aqueles que faziam com o intuito de procriar, eram submetidos a uma espécie de ritual de purificação, pois o sexo era algo tão “maligno” que precisam exorcizar – por assim dizer – os demônios que ele impregnava no corpo daqueles que o faziam.

Todos esses pensamentos preconceituosos e impostos pela igreja foram debatidos com a chegada do Iluminismo, para quem não sabe, o Iluminismo foi um movimento cultura da elite intelectual Européia, trazendo a razão para a sociedade, liberdade política, o senso critico e indo completamente contra os abusos da Igreja e do Estado. O Iluminismo também era a favor da criação de escolas para que a sociedade deixasse de ser ignorante e passasse a estudar e aprender mais para poder debater e ter liberdade. Obvio que a Igreja foi contra esse movimento e pouco tempo depois surgiu os “Contra-Iluminismo”. Tem basicamente a mesma função da nossa sociedade atual, onde para os políticos e viável deixar a população ignorante a ponto de aceitarem tudo que lhe é imposto sem reclamar.

Então, é isso, o livro é cheio de conhecimento, uma ótima leitura para que conheçamos melhor a nossa sociedade e tudo que passamos para chegar aonde estamos.

4 comentários:

  1. Oi Kéziah!

    É quase difícil de acreditar quando lemos um pouco sobre história que certas coisas aconteciam. Muito interessante o livro. É uma aula da história. A opressão contra as mulheres é algo histórico e ainda hoje em algumas culturas, mais do que outras, ainda é algo forte. Ótima resenha.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  2. Hummm, mas que resenha interessante. Sexo é um assunto que me interessa desde sempre, visto que é algo intrínseco no ser humano. Livros que trazem o assunto de forma tão peculiar é bem legal, me interessei e vou comprar um exemplar pra mim, minha estante merece e preciso ler.
    Adorei sua resenha mesmo Kéziah, fiquei instigada pela forma como você explicou direitinho tudo o que te cativou no livro.
    Beijos
    Viviane
    Razão e Resenhas

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  3. Sexo apenas para fins de procriação? Putz! Que saco isso! kkkkkkkkkk
    Adoro esses livros mais informativos! Leio poucos porque canso das leituras, mas eles funcionam que nem uma beleza para mim quando chego ao final e fico feliz porque consegui acabar.
    Adorei a indicação!

    bjus
    terradecarol.blogspot.com

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  4. Esse livro parece ser muitoooo legal,eu gosto de saber como as coisas eram a anos atrás,como nossa sociedade funcionava.mesmo com todo o preconceito.

    Adorei a resenha e esse livro vai para a minha lista de desejados.

    bjssss

    Bianca

    ApaixonadasporLivros

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Fonte: http://princesa-descolada-myla.blogspot.com/2013/03/paginacao-numerada.html#ixzz2j39CpByO